MUSEU DE HISTÓRIA E ARTES DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Museu do Ingá
A
CASA
O
Palácio do Ingá, nome pelo qual o Palácio Nilo Peçanha – sede
do Museu de História e Artes do Rio de Janeiro – é mais
conhecido, foi palco de fatos vibrantes da história política
e social fluminense. Hoje, ele relata os acontecimentos que o definem como
a memória viva da ex-capital fluminense, Niterói. Sua estrutura
bela e imponente não mente ao insinuar e revelar os segredos ali resguardados.
Construído
durante o Segundo Reinado, na década de 1860, para servir de residência
ao médico e político José Martins Rocha (1824 – 1896),
ali se desenrolavam importantes reuniões partidárias.
Em 1888, a parte térrea do edifício foi cedida para instalação
do Colégio Felisberto de Carvalho, fundado pelo célebre poeta
Alberto de Oliveira e pelo jornalista Manuel Carneiro.





O
palacete, posteriormente, foi vendido ao industrial português José Francisco
Corrêa, agraciado em seu país como Visconde de Sande e Conde de
Agrolongo. Em 1874, aos 21 anos de idade, Corrêa inaugurara a Manufatura
de Fumos Veado, uma das maiores do gênero na América Latina, com
sedes no Rio e Janeiro e Niterói. A residência passou então
a ser conhecida como Palacete Sande. O Conde, entusiasta e divulgador da fotografia
estereoscópica, instalou nos fundos do Palacete um pequeno zoológico,
onde acomodava os animais doados pelos seus compadres políticos, do
interior fluminense. A capela existente desde a construção original
foi mantida. Reformando e embelezando a mansão, dotando-a de móveis
e ricos adornos, o Conde deu início a um período de fausto, onde
constantes festas e requintadas recepções eram realizadas, com
a presença dos maiores políticos, dignitários, negociantes
e industriais. Retornando a Portugal em 1903, o Conde franqueou a visitação
do palacete, visando leiloá-lo. Durante três dias mais de quatro
mil pessoas percorreram o imóvel.
Por
essa época a capital fluminense foi novamente transferida de Petrópolis
para Niterói e o Presidente do Rio de Janeiro, Nilo Peçanha,
empossado a 31 de dezembro de 1903, adquiriu o imóvel para residência
oficial dos chefes do executivo fluminense. Com o apoio do Visconde de Moraes,
então presidente da Cia Cantareira, a venda foi consumada em 30 de junho
de 1904 pela importância de 100 contos de réis, metade em espécie
e metade em apólices subscritas pelo povo de Niterói, as famosas
quintinas, que só foram totalmente resgatadas em 1940. Daí o
dístico “Casa do Povo” nos pórticos do palácio.
Em
1907, Alfredo Backer, já então tornado desafeto de Nilo, determinou
que o arquiteto René Badra remodelasse a decoração interna
e externa.
O
prédio, o primeiro a receber luz elétrica na cidade, sofreu obras,
em 1920, para acréscimo de dependências destinadas à residência
dos governadores.
Em
1967, na gestão de Geremias Fontes, foram construídos uma piscina
e um terceiro pavimento, hoje destinado a administração do Museu.
A 2 de outubro desse mesmo ano, passou a se chamar Palácio Nilo Peçanha,
em homenagem ao governador fluminense que efetuou a sua compra.
Desde
1904, considerando-se governadores interinos e interventores federais, foram
43 os seus ocupantes, sendo Raymundo Padilha o último governador a ocupá-lo.
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